Por Silvio Molin, consultor de empresas

A única certeza!

Esse ano que se encerra deixa como legado para o ano que se inicia uma substancial dose de otimismo, ao mesmo tempo que nos convida a profundas reflexões acerca das possíveis transformações no ambiente de negócios.
Uma guinada à direita nas últimas eleições reascendeu o ânimo, que a tempo vinha esmorecido, no potencial de crescimento de nosso país. De lá pra cá, investimentos bilionários já foram anunciados por empresas privadas e o grau de confiança empresarial teve alta agora em novembro e registrou o maior nível desde abril de 2014, apontou a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Podemos entrar em um novo ciclo de crescimento que venha beneficiar muitos setores, no entanto, cabe lembrar que o Brasil se encontra em uma situação bastante fragilizada e com um governo que por muitos anos tratou a todos, ou quase todos, de uma forma muito paternalista. Vejam que o Índice de Liberdade Econômica, compilado pela Fundação Heritage, coloca o Brasil, em 153° lugar entre 180 países em termos de abertura comercial. E se quisermos crescer economicamente, a abertura comercial será inevitável, e junto dela a oportunidade de alíquotas menores para a importação de equipamentos de produção entre outros, mas também por outro lado, a possibilidade de um aumento na concorrência em função de produtos que já venham impressos. Além disso, economias mais abertas são mais inovadoras e seus mercados mais competitivos.
Serão encontradas muitas resistências para a implantação de uma agenda mais liberal, pois para que possamos sentir os benefícios dela, talvez antes, tenhamos que abrir mão do protecionismo exagerado que nos aconchegou esses anos todos, e isso vai gerar um certo desconforto porque exigirá de nós um comportamento muito diferente a frente da empresa que administramos, mas também abrirá uma série de oportunidades em diferentes frentes de negócios.
Esse ano também nos convidou a uma série de questionamentos sobre o setor em que atuamos. Vimos por mais um período muitas gráficas, entre grandes e pequenas, fechar ou entrando em declínio financeiro. Vimos uma grande livraria multinacional encerrar as atividades no Brasil e as duas maiores redes de livrarias nacionais entrar com pedido de recuperação judicial recentemente. Os números do PIB do nosso setor ajudam a entender parte: PIB por trimestre 2018/2017 1T18 / 1T17 2T18 / 2T17 3T18 / 3T17 PIB do Brasil 1,21% 1,03% 0,8% PIB do Setor Gráfico -0,5% -2,6% 5,0%
O PIB do setor gráfico vem se mantendo no campo negativo desde 2012 e os dois primeiros trimestres desse ano deram continuidade a essa queda. Embora o crescimento no terceiro trimestre tenha se mostrado robusto, é importante lembrar que ele teve um estímulo extra com a pontualidade dos impressos relacionados às eleições. Observem que por mais que o PIB do Brasil cresça, o PIB do setor gráfico se mostra frágil e sinaliza que um crescimento econômico no país não necessariamente se traduzirá em crescimento para o nosso setor. Um dos fatores é a grande participação das commodities na composição do PIB brasileiro e um desempenho moderado do setor industrial e de serviços que poderia gerar mais trabalhos ao setor gráfico.
Mas também, não podemos deixar de mensurar a grande força das mídias digitais que vem absorvendo cada vez mais uma fatia maior dos investimentos em propaganda e comunicação.
A direção ao liberalismo poderá trazer com o passar do tempo e a assertividade e aprovação das medidas necessárias, um fortalecimento maior dos setores industriais e de serviços, e consequentemente um possível aumento da demanda de serviços impressos, ao mesmo tempo que em que o avanço da tecnologia e uma abertura de mercado possam fazer uma pressão no sentido contrário.
Neste cenário a única certeza que temos, é que tudo vai mudar!
É assim desde o nosso nascimento, desde a abertura da nossa empresa. Tudo está em constante movimento e as mudanças estão acontecendo de forma cada vez mais acelerada. Embora o ambiente em transformação, nós dificilmente agimos para promover o nosso aprendizado e da nossa equipe e gerar o movimento para aproveitar as oportunidades que o mercado vai nos oferecendo.
A morte de uma empresa nunca é causada por um acidente trágico e inesperado. É um processo lento e na maioria das vezes imperceptível aos olhos de seus gestores. Quando estes percebem os primeiros sintomas de que as coisas não estão tão bem assim, os danos já podem ter comprometido alguns anos de bons resultados.
Caro empresário gráfico! Independente de aumentar ou diminuir a demanda de serviços para o setor de impressão nos próximos anos, lembre-se: não é o aumento de vendas e nem a tecnologia mais moderna de produção que vai garantir a saúde da sua empresa. O que alimenta a sua empresa é o lucro e a geração de caixa livre.
Lembre-se que tudo vai mudar. É nossa única certeza. Mudamos na direção correta ou ficaremos nas páginas passadas dos calendários da história.

Um ótimo 2019 a todos!

Silvio Molin
Consultor de Empresas
(41) 99105.1514
silvio@molin.adm.br

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